domingo, 8 de novembro de 2015

Comer, Rezar, Amar (Part. 1)

Título: Comer, Rezar, Amar
Gênero: Biografia

LEMBRETES IMPORTANTES:
1- essa resenha contém spoilers, esse livro já até virou filme que por sinal eu já assisti. Mas se ainda assim pretende ler o livro, pare por aqui. rs =)
2- a resenha tem meu ponto de vista, de acordo com o momento pessoal da minha vida, pois acredito ser esse livro um daqueles que podemos ler em diferentes fases da vida e em cada uma, ele nós tocará de alguma forma.
3- esse é o primeiro livro que iniciei a resenha antes mesmo de chegar ao meio, senti tal necessidade pela riqueza infinita contida já nessa primeira parte, que seria Itália ou Comer. Pode ser que as demais partes sejam juntas, mas essa realmente mereceu um post só dela.
4- esse é um post longo, mas se tiver paciência para ler tudo, acredito que vai gostar bastante.

Bom é isso, vamos ao livro!

Título Original: Eat, Pray, Love
Editora: Objetiva
Autor: Elizabeth Gilbert
Sinopse: O prazer mundano, a devoção religiosa e os verdadeiros desejos.
Elizabeth Gilbert estava com quase trinta anos e tinha tudo o que qualquer mulher poderia querer: um marido apaixonado, uma casa espaçosa que acabara de comprar, o projeto de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, sentia-se confusa, triste e em pânico.
Enfrentou um divórcio, uma depressão debilitante e outro amor fracassado. Até que decidiu tomar uma decisão radical: livrou-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego, e partiu para uma viagem de um ano pelo mundo – sozinha. 'Comer, Rezar, Amar' é a envolvente crônica desse ano. O objetivo de Gilbert era visitar três lugares onde pudesse examinar aspectos de sua própria natureza, tendo como cenário uma cultura que, tradicionalmente, fosse especialista em cada um deles. 'Assim, quis explorar a arte do prazer na Itália, a arte da devoção na Índia, e, na Indonésia, a arte de equilibrar as duas coisas', explica.
Em Roma, estudou gastronomia, aprendeu a falar italiano e engordou os onze quilos mais felizes de sua vida. Na Índia dedicou-se à exploração espiritual e, com a ajuda de uma guru indiana e de um caubói texano surpreendentemente sábio, viajou durante quatro meses. Já em Bali, exercitou o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina. Tornou-se discípula de um velho xamã, e também se apaixonou da melhor maneira possível: inesperadamente.
Escrito com ironia, humor e inteligência, o best seller de Elizabeth Gilbert é um relato sobre a importância de assumir a responsabilidade pelo próprio contentamento e parar de viver conforme os ideais da sociedade. É um livro para qualquer um que já tenha se sentido perdido, ou pensado que deveria existir um caminho diferente, e melhor.
Aclamado pelo The New York Times como um dos 100 livros notáveis de 2006 e escolhido pela Entertainment Weekly uma das melhores obras de não-ficção do ano, 'Comer, Rezar, Amar' originou o roteiro do filme homônimo.


ANTES:
O livro é narrador pela própria Liz, onde ela dialoga com nós leitores. Adoro livros assim, parece um bate-papo.
Já no começo ela explica que o livro é dividido em 3 partes: Itália, Índia, e Indonésia. Explica os motivos que a levaram escolher esses destinos, e a feliz coincidência de todos começarem com 'I', ('EU' em inglês).





Como qualquer ser vivo, Liz, também queria sair de uma situação difícil e dolorosa,e  no caso, seu casamento, sem causar danos a ninguém, e como em passe de mágica seguir em frente, simples e fácil. Uma pena a vida não nos permitir tal feito, ou será que não seria uma pena? Sinceramente, eu prefiro o primeira opção, como no filme O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" (alguém já viu esse filme?) onde é possível apagar as lembranças, mas até no filme o efeito é colateral, bem, que seja, ainda preferiria assim. Acredito que temos sim, que arcar com as consequências de nossos comportamentos para aprender, eu sei que isso é um belo eufemismo, mas é real, o problema é que nem sempre somos consequenciados por nos mesmo, entende? A consequência vem de outro, outros, e não temos controle sobre isso, e sobre a contra-consequência (nem sei se existe essa palavra) que isso nos trará, e como reagiremos. Acho que ficou confuso, e é por isso que Liz, eu e a maioria das pessoas (sim, estou falando por outras pessoas) preferiria a possibilidade de sair das situações sem 'alvoroço; Pra Ninguém!

É nessa parte que fiquei refletindo por muito tempo. Nos moldamos ao que esperam de nós, e nós mesmo esperamos de nós. Devemos, ser bons filhos, alunos, amigos, namorados, funcionários, patrões, acadêmicos, humorados, felizes, e por ai vai, a lista é infinita, e em alguns momentos fica difícil de saber o que é apenas dever ou o que somos com prazer. O fato de sermos 'úteis' enquanto nos comportamos como esperado e agradamos, mas agradamos ao outros, e isso se torna um ciclo, onde existe o reforçador que é ver que agradamos, mas quanto a punição, a auto punição por estarmos apenas cumprindo um dever?! Correr o risco de sair desse papel e assumir a nós mesmo que nem sempre 'devemos' é mais complicado do que parece. Ser soldadinho é mais fácil; pra quem mesmo?

"Se preocupar demais
Emotiva demais
Nervosa demais"
Acho que juras, não nos faz acreditar que não temos motivos pra nos preocupar com a vida. Mas ser sempre esse campo de extremos é cansativo e desgastante. Liz vivia sempre entre se cobrar pra cumprir os deveres e sentir tudo aquilo de forma extrema, sentir demais é um grande problema, e simplesmente nos faz afastar ou atrair as pessoas, de forma obsessiva.
Estava discutindo o livro com uma amiga que já o leu. Falamos sobre a parte onde Liz relata que não sabe se foi David (atual 'namorado' de Liz, após a separação) que se afastou e ela começou a ficar obcecada, ou se ela começou a ficar obcecada e David se afastou, chegando a comparar a situação com o vicio á uma droga. Chegamos a conclusão que realmente não da pra saber como a obsessão de instalou ali, o que aconteceu primeiro, mas como isso é muito comum nas relações.

E foi em meio ao fim avassalador de um casamento, uma relação obsessiva com David e a uma vida de ponta cabeça que a peregrinação começou...


ITÁLIA:
Enfim Itália! Liz fixa residência temporária em Roma, que descubro neste livro que é a cidade do prazer, ou como cita o livro, cada cidade pode ser definida com uma palavra, e a de Roma é sexco, pra mim a Itália toda era suspiros românticos, o último lugar para ser ir depois de um fracasso, ou dois no caso de Liz, amoroso. Mas a surpresa foi grata, muito; já quero ir pra Roma!rs.

Acho que isso não é só 'americano' como se refere Liz aos Estados Unidos, acho que isso é de quem sente muito, sente muito tudo o que vive, e se cobra demais, cobra se tanto que não se acha 'adpto' ou merecedor de momentos de prazer, quem dera então da felicidade. Ou até de pessoas que não conseguem sequer parar para se permitir isso, porque está sempre cumprindo deveres. Como ir a uma festa, beber, ou simplesmente tirar um dia de folga enquanto tem gente morrendo de fome, de doenças, que sequer tem um trabalho, que está esperando que eu cumpra meu papel? 
Por que eu deveria pedir a Deus, aos céus (ou qualquer que seja o nome ou religião) por esse meu misero problema, enquanto existem guerras acontecendo, doenças se alastrando e matando milhares de pessoas? Esse também é um inquietação de Liz, e confesso que minha também, mas Liz diz que fazmos parte de um mundo onde '+1' feliz conta sim.
...mesmo assim, o conhecido me parece mais seguro, mesmo assim eu preferia outra realidade agora, porque escolher, conhecer e se permitir o novo é inseguro demais, mesmo que o seguro não seja de fato seguro, apenas conhecido.  Como nem tudo são flores em Roma, não podemos fugir do problema, pois ele sempre vai encontrar um jeito de aparecer, de certa forma é preciso encarar a realidade e fazer o que tem que ser feito, Liz não vive só de risos por lá e ela deixa isso bem claro, mas também o que fica bem claro é a transformação que acontece com ela. A narração por lá tem altos e baixos, com direito á tudo, onde ela se permite, e se transforma, talvez até certo ponto sem perceber. 

Assim como Itália não é só risos, também não é apenas dor. Liz tem a felicidade de fazer amigos, encontrar alguns familiares que aproveitam o pais para visitá-la. Mas acredito que a maior riqueza encontrada ou reencontrada por lá é o companheirismo, a fidelidade e o amor dos novos e velhos amigos. Liz mais que conhecer um pais, suas cidades, culinária e cultura, ela pode conhecer pessoas, e reconhecer-se nelas também. Amigos, e ela começa a se sentir bem só, sem romances, a apreciar a sua solidão, palavra que por muitas julgamos triste e pesada, mas que se apreciada ganha um novo sentindo, para Liz ganhou.

Liz, é tão cheia de dúvidas quanto qualquer outro ser humano... e talvez vivamos com eles sempre, mas o que ela aprende e transmite é: não deixe que suas dúvidas e preocupações impeçam que sentir, enxergar e viver os pequenos prazer da vida, que tanto pode nos dar alegria.

Bom, se chegou até aqui após ler toda a resenha, meu muito obrigada de coração.
Agora vou continuar a leitura, e viajar com Liz para a Índia e Indonésia!
E se ainda tenho o direito de lhes pedir algo, digam o que acharam, não só da resenha, mas se já leram o livro ou assistiram ao filme, me contem como se sentiram?

Beijos, Bru
=)




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